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A redenção de um xerife. Carli e o primeiro título da vida, com direito a gol no Maraca

Dizem que justiça e futebol nem sempre caminham lado a lado. Como por exemplo a seleção brasileira não ter sido campeã mundial em 1982, a “Laranja Mecânica” da Holanda que bateu na trave na Copa de 1974, a falta de conquistas de Messi no profissional pela Argentina… E por aí vai, ou melhor, ia até o jejum de títulos de Joel Carli.

O zagueiro argentino nunca teve grande destaque em seu país. Jogou por clubes de menor expressão, como Aldosivi e Quilmes, e chegou mais veterano ao futebol brasileiro, com 29 anos. Pinçado pelo Botafogo, agarrou firme sua primeira experiência internacional, conquistou a torcida, foi apelidado de xerife, virou capitão e passou a ser reconhecido na Argentina. Foi duas vezes entrevistado pelo jornal “Olé” desde então.

E aos 31 anos, a espera acabou. E com estilo. Carli marcou nada menos que o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Vasco no domingo, no último lance do jogo. O que levou a decisão para os pênaltis e proporcionou a chance de Gatito defender duas cobranças e consagrar o Botafogo como campeão carioca de 2018. Primeiro título da carreira logo no Maracanã, palco mais importante do Brasil.

– Muito emocionante, do jeito que foi… Mas mereço, eu mereço. Não sou de falar de mim, mas trabalho muito dentro e fora de campo. Hoje sinto a satisfação de que todo esse trabalho vale e posso comemorar. (…) Marecíamos um título. Foi difícil, mas conseguimos. Estão todos de parabéns – vibrou o argentino, emocionado, ainda no gramado do Maracanã e ao lado da esposa Mariela e dos filhos Avril e Valentín.

Troféu que representa uma redenção na vida do xerife em 2018. Mesmo após duas temporadas como titular, Carli perdeu espaço esse ano. Virou reserva com Felipe Conceição e Alberto Valentim. Do banco, via a torcida gritar seu nome quando o time perdia em campo. A oportunidade que parecia distante veio de repente contra o arquirrival Flamengo na semifinal do Carioca. Recuperou a posição e justamente na final, com o capitão Lindoso suspenso, herdou a faixa para erguer a taça.

– Hoje voltei a ser capitão, mas Jefferson, João Paulo, são exemplos de profissionais que também têm a mesma importância que eu. Quando fiquei fora, não me sentia menos importante. Isso me deu força para continuar trabalhando. (…) Foi muito difícil porque não imaginava, mas sabia que a oportunidade ia chegar em algum momento e sempre acreditei. Quando o Valentim precisasse de mim, teria que corresponder. Acho que respondi da maneira certa, fico feliz por ajudar o Botafogo.

Tão feliz quanto Carli estava sua esposa Mariela, que confessou a tristeza com que o argentino estava em casa nos últimos meses, mas nunca deixando de acreditar que daria a volta por cima.

– A esposa não pode fazer nada (risos), mas foi muito difícil a situação para ele. Estava muito triste por não poder completar o time titular como vinha fazendo, mas nunca perdeu as esperanças, treinava mais do que nunca. Falava que ira voltar a jogar e levantar a taça.

O gol não foi o primeiro, e sim o quinto de Carli em 84 jogos com a camisa alvinegra. Mas este nunca mais vai sair da memória do zagueiro, que mostrou oportunismo de centroavante, mesmo sem levar muito jeito para a coisa. Ele que havia sido “camisa 9” no rachão da véspera e não tinha feito sequer um gol no treino. Mas já dizia o ex-técnico Ricardo Gomes que o argentino não costuma treinar tão bem quanto joga. E o zagueiro teve que aguentar a gozação.

– Os meus companheiros me sacanearam porque tem muito treino que eu jogo de atacante. Mas nunca imaginei que ia cair essa bola no meu pé e terminaria em gol. Eu tinha muita fé que o Botafogo ia ser campeão. Não imaginava que faria um gol tão feio como o que eu fiz – brincou.

Fonte: Globo Esporte

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