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“Crime” e silêncio: presença da Coreia do Norte muda rotina nos Jogos de Inverno

A Olimpíada de PyeongChang evitou um crime. A pena: até sete anos de prisão. É que na Coreia do Sul, a legislação de segurança nacional proíbe que se exiba a bandeira do vizinho e que se faça qualquer elogio público à Coreia do Norte. Mas, para cumprir com o protocolo do Comitê Olímpico Internacional, os promotores sul-coreanos concederam uma isenção para os locais dos Jogos, incluindo cerimônia de premiação e acomodação de atletas. A isenção entrou em vigor na quinta-feira com a abertura oficial da Vila dos Atletas, onde a bandeira do Norte foi devidamente levantada. Essa, porém, não é a única particularidade da Coreia do Norte em PyeongChang.

A presença do país na competição enche o mundo de curiosidade e perguntas. A Coreia do Norte é uma das nações mais fechadas do mundo, e a população local enfrenta censura. Na Copa do Mundo de futebol, em 2014, os coreanos assistiram aos jogos do mundial no Brasil com 24 horas de atraso. A pergunta agora é qual será a posição dos norte-coreanos nesta edição dos Jogos de Inverno. Dos 22 atletas inscritos, nenhum é favorito a conquistar uma medalha. Reza a lenda que a Coreia do Norte mente à população local, repassando ao povo resultados diferentes dos obtidos por seus competidores.

Desde a chegada na Coreia do Sul, os norte-coreanos são seguidos de perto pela imprensa. Nos locais de treino, atletas de renome se preparam com certa tranquilidade. Mas um simples treino dos atletas da patinação da Coreia do Norte vira um evento. No domingo, dezenas de jornalistas acompanharam uma sessão na vila de Gangneung na esperança de ouvir qualquer palavra sobre a participação nos Jogos. Em vão. Dos 45 minutos disponíveis para os repórteres na zona mista, os norte-coreanos precisaram de poucos segundos para cruzá-la sem abrir a boca.

Em ação conjunta do COI com as Coreias, um time de hóquei feminino unificado foi criado. Será a primeira vez que duas nações competem juntas na Olimpíada. A ação, porém, não foi bem aceita pela população sul-coreana. Esta semana, pela primeira vez o time disputou um amistoso. Enfrentou a Suécia em Incheon, ao lado de Seul, com vitória de 3 a 1 das europeias. Do lado de fora do ginásio, protestos foram organizados. Sul-coreanos chegaram a rasgar a bandeira da Coreia do Norte. Antes, na reunião do Comitê Olímpico Internacional que definiu pela liberação dos norte-coreanos, a população do país já havia demonstrado zero concordância.

Essa não e a primeira vez que as Coreias dão uma demonstração de união, mesmo que oficialmente ainda estejam em guerra, já que desde o fim do confronto armado, em 1953, não foi assinado um armistício decretando o fim do duelo. Em Sydney 2000 e Atenas 2004 as duas delegações desfilaram juntas, mas competiram por conta própria. Agora, a situação é muito mais delicada. A Olimpíada acontece na Coreia do Sul e a expectativa é que a população do sul-coreana proteste também na cerimônia de boas-vindas da Coreia do Norte, na Vila dos Atletas em Gangneung, e depois na cerimônia de abertura, no dia 9 de fevereiro.
A bandeira do Norte foi primeiramente hasteada na Coreia do Sul em 2003, quando o Norte enviou atletas para a Universíade de Daegu. No Campeonato Asiático de Atletismo de 2005 e nos Jogos Asiáticos de 2014, ambos em Incheon, a situação foi repetida. Todas com protesto. A bandeira da Coreia do Norte também foi exibida em uma partida feminina de hóquei no gelo entre as duas Coreias no ano passado em Gangneung.

Fonte: Globo Esporte

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