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Detento recapturado em Manaus revela que fuga faz parte de ‘guerra entre facções’

Um detento que foi recapturado após fuga da Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, no Centro de Manaus, nesta segunda-feira (24), revelou que uma “guerra” entre facções é planejada desde o massacre ocorrido na capital amazonense, no início deste ano.

Rômulo Brasil da Costa, de 25 anos, foi um dos quatro detentos recapturados logo depois de fuga na manhã desta segunda. O grupo contou com apoio de um homem que transportou os detentos em um carro. Após serem presos, os homens foram levados ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

Na delegacia, Rômulo fez revelações sobre existência de um plano de guerra entre as facções. Ele disse que a facção quer vingança das mortes de aliados que ocorreram durante no massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) em janeiro deste ano.
Já mataram muito nossos irmãos dentro da cadeia e dentro da unidade não queremos mais isso. Queremos a paz entre comunidade e o crime. Queremos mostrar que o Primeiro Comando da Capital está aqui no estado do Amazonas. Já estávamos planejando [fuga] porque queríamos sair mesmo para vingar a morte dos nossos irmãos, dos 25”, comentou o detento que responde por tráfico de drogas, roubo e homicídio.

Plano

O detento contou que as mortes começariam pelo bairro Compensa. A comunidade na Zona Oeste da capital é reduto da facção rival. “Começamos matando a cobra pela cabeça. Vamos matar do menor ao maior da FDN. A guerra está declarada, vamos dizimar a facção. A ordem é para exterminar toda FDN e CV [Comando Vermelho]”, enfatizou em tom ameaçador Fabrício Duarte Araújo, de 25 anos, que também fugiu da cadeia e foi recapturado.

Depois da fuga, o grupo pretendia organizar a vingança. “A gente ia para outro estado. Temos 27 estados e quatro países. Temos livre espontânea vontade para escolher para onde queremos ir”, disse Rômulo.

De acordo com detento, no Amazonas cerca de 3.500 pessoas integram a facção da qual faz parte e que surgiu no Sudeste do Brasil. “Aqui no estado várias pessoas comandam, mas não posso declarar os nomes”, afirmou.

Fuga

De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), a fuga ocorreu no início desta manhã. “A fuga se deu por conta de uma grade cerrada, ao lado de uma das guaritas da unidade que estava desmontada no momento da fuga. A Polícia Militar do Amazonas (PMAM) já está apurando a conduta dos militares”, diz nota enviada ao G1.

Uma Tereza – corda improvisada com tecidos – foi encontrada em uma janela da unidade prisional. Ela teria sido usada por detentos após serrarem grades de uma cela. Os detentos teriam ainda pulado o muro da unidade e fugido com ajuda de um comparsa que os aguardava em um carro do lado de fora da cadeia.

A unidade prisional estava desativada desde outubro de 2016 por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas foi reaberta para receber presos que estavam sob ameaça de morte no Compaj, após a onda de rebeliões nos presídios da capital do início de 2017.

Fonte: G1 Amazonas

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