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‘É como estar na chuva’, diz presidente do Itaú Unibanco sobre volatilidade em ano de eleição

O presidente do Itaú Unibanco, Cândido Bracher, disse nesta terça-feira (6) que “não há como evitar” algum impacto nos negócios pela volatilidade esperada para este ano, em virtude das eleições. “É como estar na chuva: faz parte da nossa atividade”, afirmou ele ao ser questionado se os próximos resultados do banco devem ser afetados.

Bracher falou a jornalistas em coletiva de imprensa para comentar o resultado do Itaú Unibanco no último trimestre de 2017. O banco teve lucro líquido de R$ 24 bilhões no ano fechado, de acordo com balanço divulgado na segunda-feira (6), após o fechamento dos mercados.

Sobre a instabilidade esperada para o ano, Bracher diz que as áreas que mais devem ser impactadas são as de trading e tesouraria, que têm risco de mercado, e também o braço de investimentos do banco.

“Agora, do ponto de vista da carteira de ativos, aí espero um comportamento razoavelmente homgêneo ao longo do ano, ainda que possa haver volatilidade eleitoral”, afirmou.

Queda de juros
Bracher disse acreditar que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduzirá a taxa básica de juros da economia (Selic) em 0,25 ponto no reunião desta quarta (7).

“Os eventos de ontem talvez deem uma desencorajadinha nessa redução, mas acho que isso é o possível”, disse em referência à queda dos mercados internacionais diante da expectativa do aumento dos juros nos Estados Unidos. “A dúvida que fica é se para aí ou se tem mais 25 pontos 45 dias depois”, emendou.

Segundo ele, o Itaú acompanhará a redução nos juros para os clientes, caso ela aconteça. “Em todas as linhas onde o funding é feito através da taxa de juros Selic o custo deve cair”, afirmou.

De acordo com o executivo, a taxa de juros do crédito pessoal do banco caiu 17% entre outubro de 2016 e dezembro de 2017,enquanto que a taxa Selic foi reduzida em 7%. “Temos mais do que repassado para as nossas linhas de crédito”, disse.

Apesar disso, o Itaú não espera redução, mas sim manutenção do spread (diferença entre os juros cobrados pelo banco e seu custo para captar dinheiro) em 2018.

Além da redução da taxa básica, o Banco Central tem atuado para reduzir essa diferença. Recentemente, alterou as regras do cartão de crédito rotativo e já deu indícios de que pretende mexer nas regras do cheque especial.

Segundo Bracher, o impacto das mudanças nas regras do cartão de crédito já foram sentidos em 2017 e já estão nas provisões para 2018. Já em relação ao cheque especial, ele disse que as discussões com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) giram mais em torno de educar o consumidor para usar o produto de forma emergencial, e não recorrente.

“(Isso) pode afetar um pouco as margem de spread mas acho que o crescimento da carteira, o crescimento da demanda compensará isso”, disse. Na visão dele, “há um equilíbrio em demanda e oferta na economia”.

O banco espera que sua carteira de crédito total (que inclui garantias financeiras e títulos privados) cresça entre 4% e 7% em 2018.

XP e Citi
Bracher disse que espera que a decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a compra da XP Investimentos “saia logo”. Segundo ele, a corretora já concordou com os remédios propostos pelo órgão antitruste e “as coisas estão em ordem”. O negócio de R$ 6,3 bilhões foi anunciado em maio do ano passado.

Em relação à integração de parte do Citibank, anunciada em outubro do ano passado por R$ 710 milhões, Bracher afirmou que o processo “vai muito bem”.

Ele disse que o Itaú tem capacidade de absorver “facilmente” os funcionários do Citi dentro de sua taxa normal de rotatividade e que ainda não foi feito um estudo sobre a necessidade de fechar ou não agências.

Em 2017 ocorreu a aquisição das operações de varejo do Citibank pelo Itaú Unibanco. Com isso, o banco ganhou R$ 8,6 bilhões em ativos. Desse total, R$ 6,2 bilhões se referem a carteira de crédito. O negócio rendeu ainda ao Itaú Unibanco R$ 4,8 bilhões em depósitos e uma base de cerca de 300 mil clientes.

Nos últimos dois anos, o banco, que vem focando em atendimento digital, fechou 280 de 3,5 mil pontos de atendimento. Para 2018, não há previsão de fechamentos significativos.

Para este ano, o Itaú não estuda grandes aquisições. De acordo com Bracher, o banco entende que não há muito espaço para consolidação no Brasil e a prioridade na América Latina é aumentar a rentabilidade das operações já existentes.

Fonte: G1

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